Cuidar de Portugal

Neste 5 de Outubro, celebramos a implantação da República, que já tem 110 anos. O que queremos dela?

Eu quero uma República justa e solidária. E sei que essa é a aspiração da maioria dos portugueses: viver num país que dê oportunidades a quem quer contribuir para o seu desenvolvimento. Um país que respeite e assegure velhice condigna a quem trabalhou toda a vida. Uma República em que as instituições funcionem. E em que o Estado de Direito democrático não seja apenas formalidade.

Portugal é a nossa Pátria. Queremos condições para nos realizarmos—aqui, na nossa terra—como pessoas e como comunidade. Para nós e para os nossos filhos, netos e os que depois vierem.

Queremos prosperidade partilhada, emprego decente, habitação, justiça social, equidade fiscal, sistema judicial eficaz, equilíbrio ecológico. Com uma administração transparente, numa sociedade em que a ética republicana norteie governantes e governados.

Somos um povo que preza a liberdade e a justiça: queremos uma República em que se respeitem os direitos fundamentais, mas também em que o cumprimento dos deveres do Estado e dos cidadãos e cidadãs seja a regra, não a exceção.

Queremos um país que conte na União Europeia, em que todos contribuam proporcionalmente às suas possibilidades, por uma sociedade mais justa e equilibrada.

A crise sem precedentes que atravessamos por causa da pandemia demonstra como precisamos da União Europeia, partilhando soberania e aprofundando a solidariedade.

Temos, no País e na União, de tirar lições das nefastas políticas de desregulação, que fomentaram a corrupção e as desigualdades, como a crise financeira expôs.

E temos, no País e na União, de reduzir o desemprego e a dependência do exterior que as deslocalizações agravaram, até que a crise de saúde pública fez tocar a rebate: precisamos urgentemente de reinvestir nas nossas capacidades e nos nossos recursos e aplicá-los no desenvolvimento da economia do conhecimento.

Queremos um país pela verdade, de exigência e de integridade. Queremos um país e uma União Europeia que contem para promover a segurança e a Paz no mundo. E para salvar a Humanidade da depredação destruidora: acabar com o recurso aos combustíveis fósseis que agravam as alterações climáticas e causam desertificação, cheias e fogos, acabar com a depredação de florestas e a poluição dos rios e oceanos—tudo urgente porque não há mesmo planeta B!

Portugal, esta nossa casa comum, é feito de portugueses de todas as origens, portadores das mais diversas crenças e de diferentes ideias: uma Pátria unida pela riqueza da sua diversidade.

Uma Pátria que queremos honrar. Uma Pátria que vou honrar como Presidente da República.

Não sou de me conformar. A história e a vida ensinaram-me que é preciso ter humildade e ver a realidade tal como ela é. Mas sem abdicar do sonho, sem nunca abrir mão da esperança.

Da esperança vem a determinação para nos aplicarmos a construir um país com futuro.

Fazer política, para mim, significa servir o bem comum. Servir as pessoas! Assegurar a boa governação do País. Sem esperar em troca cargos, honrarias ou contrapartidas materiais.

Não podemos continuar a aceitar que os negócios se confundam com a política, os interesses privados com o interesse público geral, que projetos pessoais ou partidários estejam acima dos superiores interesses nacionais permanentes e que existam ainda pessoas que passem fome no nosso país.

Só com grandes sacrifícios conquistámos a democracia em Portugal: chegou a hora de a tornarmos mais exigente, a bem dos portugueses.

Os mais velhos lembram-se de como era triste viver sem democracia, sem imprensa livre, sem tribunais independentes, sem oposição e com a economia reduzida a meia dúzia de grupos económicos enfeudados à autoridade de um só homem.

Sem liberdade, um país não respira, a sociedade não progride e ninguém pode viver em segurança.

A liberdade é de todos e de todas. Deve ser protegida e cultivada, sem nunca baixarmos a guarda.

Toda a minha vida lutei pela liberdade e pelos direitos humanos. Tive a sorte de poder contribuir para os ver concretizar, em Portugal, em Timor-Leste, na Etiópia e noutras partes do mundo.

Como Presidente da República dedicar-me-ei promover liberdade e direitos humanos, integridade, boa governação e segurança. Sabendo ouvir, sem sobranceria ou arrogância, mas também sem complacência.

Quem governa é o Governo.

Mas quem elegemos para a Presidência da República tem de cuidar de Portugal. De todos, e em particular dos que mais precisam. Porque é intolerável que se permita que a pobreza e a injustiça aumentem neste País à conta da crise: o Estado tem de ter a prioridade de combater pobreza e desigualdades. Crianças e os mais velhos e vulneráveis têm de ser especialmente protegidos e apoiados. Foi democracia com justiça social que o 25 de Abril nos prometeu: concretizar a promessa reforça a República. E só assim se defende, realmente, a democracia.

Quem elegemos para a Presidência da República tem por dever defender a Constituição e a separação de poderes que sustenta a democracia. Cabe-lhe apoiar quem governa, ajudando a identificar problemas e soluções. E a todos convocar para determinar o rumo estratégico do país. E zelar por que esse rumo se cumpra, com isenção, sentido ético, rigor e transparência.

Importa, claro, a estabilidade. Mas estabilidade não equivale—não pode equivaler—a um País conformado.

A maior parte dos portugueses hoje já nasceu com liberdade e direito de voto. Mas foi preciso lutar e sofrer para os conquistarmos.

É mais que nunca preciso que todos votem pelo reforço da democracia. Sobretudo quando os extremistas ressurgem por toda a Europa e tratam de cavalgar a crise, a insegurança e a desconfiança, semeando ódios, divisões e violência.

Eu sou socialista: nunca desisti de lutar por princípios, valores e pelo bem comum. E nunca desistirei de Portugal.

E por isso peço a todos, homens e mulheres, e em especial aos jovens, que não desistam de ser cidadãos, de opinar, de participar e de votar.

Compreendo quem esteja desencantado com a política e os políticos. Mas todos somos chamados a construir um Portugal melhor.

Pois liberdade também é responsabilidade.

Portugal precisa de todas e de todos. Os jovens têm nas mãos o seu futuro: apelo a que combatam a apatia, não se abstenham, não deixem de se indignar, de criticar, de escrutinar, de pedir contas: não desistam de Portugal!

Não vos digo que vai ser fácil. Mas ninguém pode travar este combate em vosso lugar!

Espero que se junte a esta candidatura quem quer democracia com integridade e justiça.

Acredito que é possível, cada um de nós, fazer mais pelo País.

Numa república não há coroações, nem vitórias antecipadas: é o povo que decide!

Estou aqui para unir, para congregar, portuguesas e portugueses.

Porque Portugal vale a pena!